Brasil Energia | Ed. 455 - Fevereiro, 2019
Brasil Energia , nº 455, 1 de fevereiro de 2019 53 Wagner Granja Victer é engenheiro (UFRJ) da Petrobras, bacharel em Administração (UERJ), pós graduado em Finanças (FGV) e Especialização em Gerência de Projetos pela Harvard University. Ex-secretário de Estado do RJ de Energia, Indústria Naval e Petróleo e também de Educação, presidiu a Cedae e a Faetec. Integrou o CNPE e é membro da Academia Nacional de Engenharia e da Academia Nacional de Economia. Autor e coautor de diversos livros de interesse do setor energético brasileiro. Wagner Granja Victer OPINIÃO PREPARANDO ENGENHEIROS PARA A INDÚSTRIA DE PETRÓLEO Grande desafio do momento é aproximar objetivamente a indústria de petróleo com os jovens talentos O sucesso de qualquer atividade em- presarial se obtém a partir de um plane- jamento estruturado e fundamentado em focos que podem se aprofundar, de ma- neira distinta, em função do segmento econômico e do tempo. Na indústria do petróleo, de capital intensivo, porém, com a permanente evolução tecnológica necessária a man- ter a competitividade, o investimen- to planejado na função do desenvolvi- mento dos seus recursos humanos é ca- da vez mais uma variável fundamental para obter o sucesso das organizações e o tornar perene. Durante muitas décadas no Brasil o es- forço de formação de profissionais de en- genharia para o setor de petróleo se con- centrava em ações promovidas, direta ou indiretamente, pela própria Petrobras. Com este objetivo, foram criados “Cen- tros de Formação” de profissionais de en- genharia para a indústria petrolífera. Des- tacaram-se as unidades que tinham suas sedes no Rio de Janeiro, focadas nas re- giões Sul/Sudeste (Censud) e Nordeste (Cennor). Os cursos de formação se es- truturavam ao longo de um ano com o objetivo de incorporar conhecimentos da indústria para formar profissionais para os principais cortes tecnológicos de en- genharia para o setor de petróleo, como, por exemplo, Engenheiros de Equipamen- tos, Engenheiros de Processamento, Enge- nheiros de Inspeção, Engenheiros de Du- tos e Terminais, entre outros. Ainda na década de 1970, visando an- tecipar a formação desses profissionais e a identificação de talentos já nas univer- sidades para o setor, foram estabelecidos convênios com as principais universida- des do país. Assim, eram formadas turmas especiais onde futuros engenheiros asso- ciavam a formação técnica para o setor conjuntamente com o 5º e último ano do Curso de Engenharia. Dessa forma, fun- cionavam como uma graduação comple- mentar tipo “sanduíche”, de maneira que, em função do desempenho nesta forma- ção, o profissional pudesse ingressar dire- tamente na Petrobras, tendo em vista que a exigência formal do concurso público só ter surgido, na prática, a partir da Consti- tuição Federal em 1988. O modelo então adotado permitiu com grande sucesso formar com eficácia mi- lhares de profissionais de engenharia não só para a Petrobras, mas indiretamente para toda a indústria petrolífera que fun- cionava sob regime de monopólio esta- tal na prática até junho de 1999, quando aconteceram os primeiros leilões de blo- cos de petróleo conduzidos pela ANP a partir da Lei Federal 9.478. A demanda ampliada por novos profis- sionais de engenharia ingressando na in-
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