Brasil Energia | Ed. 455 - Fevereiro, 2019

56 Brasil Energia , nº 455, 1 de fevereiro de 2019 paração por membranas a alta pres- são e a baixa pressão. Além das soluções disponíveis para o mercado - a maior parte de- las é importada -, a tendência é que comecem a surgir algumas alterna- tivas locais para parte das necessi- dades de purificação ou mesmo pa- ra a solução central de remover CO 2 . Uma iniciativa ocorre na Esco- la Politécnica da USP, em São Pau- lo, que desenvolve sistema inovador de remoção de dióxido de carbono do biogás e também do gás natural. A cargo do professor Bruno Souza Carmo, do departamento de enge- nharia mecânica da Poli, o projeto teve início em outubro de 2017 e se baseia no desenvolvimento de dis- positivo já existente para remoção de CO 2 em gás natural, o chamado bocal supersônico. A ideia é aperfei- çoar e adaptar a tecnologia para as condições nacionais do pré-sal, no caso do gás natural, e também para o biogás gerar o biometano. Atual- mente, apenas duas empresas pro- duzem sistemas para esses usos: a russa Engo Energy Gas Oil e a ho- landesa Twister BV. No processo em desenvolvimen- to, o gás entra com escoamento ro- tativo a alta pressão, em um bocal, onde é expandido, atingindo veloci- dades supersônicas e sofrendo con- siderável queda de temperatura, pa- ra até -80 o C, liquefazendo o dióxido de carbono. Com a rotação do siste- ma, as gotículas formadas migram para a periferia, por serem mais pe- sadas do que o gás, separando-as do metano. A meta da pesquisa é ser concluída em três anos. Outra tecnologia inovadora para purificação está sendo desenvolvi- da na também prestigiada Empre- sa Brasileira de Pesquisa Agrope- cuária, a Embrapa. Em fase de va- lidação para a escala de produção, a tecnologia, porém, visa a remo- ção de gás sulfídrico (H 2 S), etapa complementar e anterior ao princi- pal objetivo de remover CO 2 , mas importante porque o contaminante no biogás tem a má característica de provocar corrosão nos equipa- mentos onde o biometano entra em contato, sejam motores, tubulações ou turbinas, diminuindo a vida útil dos sistemas. O sistema é desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves, em Con- córdia (SC), e tem a inovação de usar biofiltro com bactérias oxidado- ras de sulfeto. O filtro é, na verdade, uma torre tubular com suportes in- ternos onde as bactérias são inocu- ladas por aspersão para se fixarem. O biogás entra pela parte de baixo e a água com nitrato em contracor- rente passa continuamente pelo sis- tema para permitir que as bactérias removam o sulfeto de hidrogênio. Segundo o chefe pesquisador da Embrapa, Airton Kunz, as bactérias convertem o sulfeto em enxofre ele- mentar, que pode ser reaproveitado com fertilizante. O desenvolvimento conta com apoio da Eletrosul e da Uiraupuru Transmissora de Energia. Com os testes em escala real, a tecnologia conseguiu reduzir a concentração do sulfeto de hidrogênio em mais de 90%. A pesquisa é resultado de pro- jeto da Embrapa de gerar energia elétrica a partir de biogás de dejetos de suínos no município de Itapiran- ga (SC). Há em Concórdia uma uni- dade de produção de biometano de 9 a 12 Nm 3 /h, complementada com sistema de remoção de CO 2 por ad- sorção (PSA) e de umidade por res- friamento. O biometano é comprimi- do para reservatório de 50 m 3 e, no momento, abastece veículo da frota da empresa. A tecnologia substitui os proces- sos convencionais, que podem ser químicos (com soda cáustica para lavagem dos gases) ou físicos (com carvão ativado), mais caros e com risco de manipulação. A solução criada tem a vantagem de ser um processo biológico e que utiliza par- te de efluentes tratados dos dejetos suínos como matéria-prima, que fi- cam em caixa sob controle para ge- rarem as bactérias redutoras. Fez parte do desenvolvimento a empre- sa Kemia Tratamento de Efluentes, que dominava o conhecimento de aplicação de sistemas biológicos si- milares para tratamento de efluen- tes. Segundo Kunz, a expectativa e que, em maio de 2019, a tecnologia esteja validada e passe a ser comer- cializada pela Kemia para aplica- ção em qualquer tipo de biogás, não só o de origem suína, mas também de esgoto sanitário, aterros etc. “As bactérias podem ser desenvolvidas em qualquer ambiente”, diz. A solução criada tem a vantagem de ser um processo biológico e que utiliza parte de efluentes tratados dos dejetos suínos como matéria-prima

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=