Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019
36 Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 EÓLICA ra doA-6 (foramnegociados 420MW médios de 658MWmédios no total). A expectativa é a de que o desempe- nho se mantenha neste ano, com uma contrataçãomaior de novos projetos no ML. Mas, como há uma transição sen- do desenhada e a redução do mercado regulado e a ampliação do livre devem ser movimentos concatenados, o prin- cipal desafio, independentemente do ambiente de comercialização, continua sendo o crescimento da demanda, re- força a presidente daAbeeólica. O último plano decenal de ex- pansão (PDE) da Empresa de Pesqui- sa Energética (EPE) sinaliza uma ex- pansão uniforme de 2 GW da fonte por ano, entre 2023 e 2027. O A-4 de 2019 contratará energia para entrega a partir de 2023 e o A-6, para 2025. Cabe lembrar que a fonte já nego- ciou energia de projetos com capaci- dade de 1.386 MW no A-6 de 2017, também para entrega em 2023. Além disso, o PDE sinaliza a expansão sem distinguir mercado regulado do livre. DISPUTA OU PARCERIA? Além da expansão do ML, outro horizonte que se abre para a fonte eó- lica com a modernização do setor é a integração de novas tecnologias. A Engie Brasil enxerga nos parques hí- bridos no Nordeste a próxima fron- teira para ofertar novos produtos e so- luções com energia eólica, em meio a maior abertura do mercado livre e a discussão sobre a precificação horária da energia. A companhia instalou em alguns de seus parques eólicos, que so- mam mais de 900 MW em operação, estações solarimétricas para verifi- car a complementaridade com a fon- te fotovoltaica. Outras grandes desen- volvedoras do setor, como a Casa dos Ventos - que cadastroumais de 5 GW, com parceiros, para o A-4 -, também medemhá alguns anos o potencial so- lar em seus parques eólicos. Já há casos de usinas solares e eó- licas dividindo o mesmo terreno, co- mo o parque solar Fontes Solar, de 11 MW, e a eólica Fontes dos Ventos (80 MW), ambos da Enel, localizadas em Pernambuco. Projetos assim podem compartilhar o terreno e, por exemplo, serem construídos concomitantemen- te, ganhando em prazo e mobilização demãode obra.Mas ainda nãopodem compartilhar um mesmo contrato de uso do sistema de transmissão, o que representaria corte de custos. “Caso mudanças regulatórias ve- nham nesta direção, esperamos por otimizações nos contratos no uso do sistema de transmissão”, comenta, Edson Silva, da Engie Brasil. O leilão de Roraima, apesar de bas- tante específico em função de o estado não estar conectado ao Sistema Interli- gado Nacional (SIN), será o primeiro realizado pelo governo a contratar ener- giade combinações de fontes,epode ser umteste para produtos híbridos. Silva observa que, com o desen- volvimento tecnológico, a fonte so- lar já tem um custo por MWp insta- lado 30% menor do que a fonte eóli- ca.“No entanto, devido aos excelentes recursos eólicos que temos no Brasil, o vento ainda continua como fon- te mais competitiva, principalmen- te em função do seu fator de capaci- dade”, ressalva. De acordo com dados do ONS referentes à março, as eóli- cas conectadas ao SIN tiveram fator de capacidade de 42%nos últimos 12 meses, enquanto as solares, de 28%. O fator de capacidade tem sido um argumento para defender uma contra- GARANTIA FÍSICA NEGOCIADA POR LEILÃO Leilão Potência (MW) Garantia física (MW) Parcela da garantia física negociada no leilão (%) A-3 2015 538,8 252,1 94,33 A-4 2017 64,0 38,0 93,68 A-6 2017 1.386,6 773,6 89,43 A-4 2018 114,4 57,7 57,89 A-6 2018 1.250,7 658,6 63,79 Fonte: CCEE EVOLUÇÃO DA CAPACIDADE POR ANO (MW) Fonte: Abeeólica 19,388 18,252 16,731 16,545 15,865 14,707 12,767 10,740 8,726 5,972 3,477 2,522 1,528 931 601 341 246 235 27 2023 2022 2021 2020 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005
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