Brasil Energia | Ed. 456 - Maio, 2019

Brasil Energia , nº 456, 20 de Maio de 2019 43 Já a Equinor deve contratar seu primeiro FPSO de grande porte, destinado ao projeto de Carcará, na Bacia de Santos. A norueguesa vem conversando com a SBM e Modec, articulando uma espécie de pré-fe- ed (pré-detalhamento de engenha- ria), embora o processo de contra- tação esteja previsto para ser lança- do apenas no início de 2020. A planta do FPSO de Carcará será de 200 mil bopd ou 220 mil bopd, com capacidade de pro- cessamento de gás de 12 milhões de m³/d. O mais provável é que a petroleira opte por adquirir o FPSO. Em geral, petroleiras es- trangeiras de grande porte ten- dem a privilegiar a utilização de unidades próprias.   Existe ainda a possibilidade de a Shell sair em busca de um FP- SO para Gato do Mato, no pré-sal de Santos. Outro projeto da fila é o de Pão de Açúcar, operado pe- la Equinor, que demandará a con- tratação de um FPSO de grande porte em breve. Além das grandes unidades, es- tão confirmadas algumas enco- mendas por FPSOs de menor por- te. A lista inclui unidades para o campo de Atlanta, operado pela Enauta, e para os projetos da Karo- on na Bacia de Santos. De acordo com dados da EMA (Energy Maritime Associates), em 2018, foram firmados 11 contratos de FPSOs no mundo, ante os seis de 2017. A demanda dos últimos 15 anos a 20 anos tem se mantido na faixa de sete unidades por ano, com alguns picos de 12 FPSOs, incluin- do unidades de porte variado e mo- delos de contratação diferenciadas. mi Armada, Saipem, BW Offshore e Misc. Enquanto a BW coloca o pé no freio no afretamento de novas unida- des e investe no ramo de aquisição de projetos de produção, a Exmar en- saia, ainda sem sucesso, seu ingresso no segmento de FPSOs. GARGALOS DO MERCADO Em geral, a limitação da capa- cidade construtiva das empresas afretadoras depende do estágio de cada projeto. No que diz respeito às grandes companhias – e em se tratando de obras em estágio dife- renciado –, aposta-se no teto de oi- to a 11 unidades em simultâneo. Já as empresas de médio porte seriam capazes de fabricar de dois a três FPSOs ao mesmo tempo. No caso do Brasil, as afretado- ras tem de enfrentar outro ponto de dificuldade: as rígidas condições contratuais da Petrobras. Há tem- pos grupos estrangeiros de menor porte ensaiam ingressar nas licita- ções da estatal, mas não chegam se- quer a apresentar proposta. Oúltimo contrato de FPSOda pe- troleira brasileira com uma empresa de médio porte foi assinado há quase cinco anos.Voltado a uma unidade de 50 mil b/d para o Teste de Longa Du- ração (TLD) de Mero, na área de Li- bra, o afretamento foi assegurado pelo consórcio Ocyan/Teekay. Hoje, o consórcio Bluewater/ Saipem e a Yinson fazem nova in- vestida, disputando o afretamen- to de um FPSO para o Parque das Baleias, com capacidade de 100 mil bopd. A última empresa ainda tra- va uma batalha com a Modec na concorrência para as duas unida- des de Marlim. CENÁRIO BRASILEIRO AModec e a SBM também domi- nam o segmento de plataformas de produção offshore no Brasil. Juntas, as empresas operam18 unidades para Petrobras, Shell e Total, reinando nos projetos do cluster da Bacia de Santos. A Modec tem em operação 11 unidades, sendo dez FPSOs (Campos dos Goytacazes, Caraguatatuba, Ita- guaí, Mangaratiba, São Paulo, Angra dos Reis, Santos, Niterói, Fluminense e Rio de Janeiro) e um FSO (Macaé), além de dois FPSOs em construção na China, para Mero 1 e Sépia . Já a SBM possui sete contratos no país, dos quais seis são com a Pe- trobras – Anchieta, Capixaba, Para- ty, Maricá, Saquarema e Ilhabela – e um com a Shell (Espírito Santo). A forte participação local das empresas acaba por se refletir na carteira mundial. No caso da Mo- dec, por exemplo, do total de 21 uni- dades do grupo sob contrato ao re- dor do mundo, 13 são ligadas a con- tratos no país. n

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=