Brasil Energia | Ed. 460 - Novembro, 2019

60 Brasil Energia , nº 460, 14 de novembro de 2019 SOLAR fabrica módulos shingled cell no ex- terior. Porém, o investimento para trazer a tecnologia ao país seria mui- to alto. “A principal barreira para a BYD trazer novas tecnologias para o Brasil é que não há volume de pro- dução que justifique financeiramen- te, pois seria necessário desembolsar um custo alto para refazer a linha de produção local”, afirma Santos. A companhia só consegue ven- der seus produtos para projetos de geração solar cadastrados no Fina- me, linha de financiamento do BN- DES em que há exigência de produ- tos locais. Isso ocorre porque o pai- nel solar fabricado no Brasil é 30% mais caro do que o importado, por não haver condição de isonomia tributária, de acordo com Santos. Uma tendência global,mais para o futuro, é a maior utilização de células de multijunção, que combinam mais de uma tecnologia, por exemplo, silí- cio cristalino com silício amorfo. Atu- almente, as células de multijunção ainda não são utilizadas em escala co- mercial no mundo devido ao seu alto custo, explica Santos. Essa tecnologia vem sendo utilizada em nichos, como aplicação aeroespacial. TELHA FOTOVOLTAICA Outra tendência, ainda commo- vimento tímido no país, são os mó- dulos integrados ao elemento cons- trutivo, como é o caso das telhas fo- tovoltaicas. A Forte Energy, empre- sa de Canoas (RS), desenvolveu uma telha fotovoltaica chamada Green Tile, capaz de gerar 15 Wp com efi- ciência de 16%. A Green Tile é mais leve, comparando com os painéis fotovoltaicos que pesam em média 23 kg, enquanto a telha pesa 1,7 kg. A companhia já possui um esto- que do produto e contratos de venda fechados. Para iniciar a comercializa- ção da telha, a empresa aguarda a li- beração por parte do Inmetro da nu- meração que as concessionárias utili- zam para liberar a troca do medidor, diz o proprietário da Forte Energy, Ivo Disegna. O foco da companhia são clientes residenciais, que pos- suem casas com padrão de 200 m². IMPORTAÇÕES EM CRESCIMENTO A importação de módulos sola- res no país aumentou 24% no pri- meiro semestre de 2019 em relação ao mesmo período de 2018, atin- gindo 1,267 GWp frente aos 1,019 GWp importados no ano anterior. Os dados são de pesquisa feita pela consultoria Greener, que envolveu entrevistas com 689 empresas inte- gradoras do país, atuantes nos mer- cados de geração centralizada e de geração distribuída, no período de 13/06 a 29/07. A pesquisa também utilizou dados da Receita Federal. Analisando por tipo de tecnologia de módulos solares importados no segundo trimestre deste ano, os po- licristalinos representaram 69% das importações, seguido de poli PERC (14%), mono PERC (11%) e mono- cristalino (6%). Os filmes finos não apresentaram participação expressi- va no volume de importados. O volume de módulos PERC im- portados vem crescendo ao longo dos trimestres. No segundo trimes- tre, 25% da potência importada pos- sui tecnologia PERC. Já no primeiro trimestre esse percentual foi de 13%. EFICIÊNCIA EM LABORATÓRIO Sobre a eficiência dos módulos fotovoltaicos, o estudo do Labora- tório Nacional de Energia Renová- vel (NREL, na sigla em inglês) con- cluiu que o módulo híbrido testado pela UNSW, na Australia, de qua- tro junções com concentrador é o mais eficiente, com 40,6%. Foi na universidade australiana, inclusive, que a tecnologia PERC, atualmente usada em grande parte dos módu- los comerciais, foi desenvolvida com maior evidência. Já os módulos de GaAs (arsene- to de gálio) III-V chegam a efici- ência de 38,9%, em teste no Frau- nhofer ISE, na Alemanha. Em rela- ção aos módulos de silício, os mais comuns no mercado, os mono he- terojunção com Contato Posterior Interdigitado (IBC), chegou a efici- ência de 24,4%. O de CIGS (Cobre- -Índio-Gálio-Selênio) testado pela Solar Frontier é o protagonista en- tre os módulos de calcogeneto, com 19,2%. Entre os módulos de silício amorfo, os testes da TEL Solar e da Trubbach Labs chegaram a efi- ciência de 12,3%. Enquanto entre os módulos emergentes, o de pero- vskita, da Microquanta, apresenta a maior eficiência, de 11,98%. n Usina compartilhada de GD, da Alsol: empresa aposta em monocristalinos PERC

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