Brasil Energia | Ed. 461 - Fevereiro, 2020
Brasil Energia , nº 461, 15 de fevereiro de 2020 15 de gás. Para o downstream, já temos representação das principais distribuidoras de combustíveis. O que esta- mos fazendo, agora, é avaliar se há oportunidade para ampliar esse grupo e, nos moldes do que foi feito para a área de E&P, fortalecer a atuação do IBP, trazendo mais empresas para se associarem. A discussão sobre a abertura do mercado de gás mos- trou pontos de tensão e divergência com as distribuidoras. O IBP planeja trazê-las para dentro para buscar um diálo- go maior? É uma oportunidade de fazer uma nova abordagem. Já procurei o presidente executivo da Abegás [Augusto Salo- mão] e outras empresas-chave que atuam nessa área para me reapresentar, agora como presidente do IBP, e mostrar minha intenção de retomar o diálogo. Tenho certeza de que todos querem o mesmo objetivo, que é o desenvolvi- mento do mercado de gás. A minha proposta é identificar os elementos mínimos com os quais podemos nos com- prometer conjuntamente para estimular isso. Como fica a agenda do IBP para o E&P, já que o merca- do foi destravado? O ambiente de negócios brasileiro tem que afirmar, a cada momento, que é atraente, competitivo, estável e seguro. Isso só se faz com regras claras, previsíveis e es- táveis. As empresas internacionais têm que justificar a alocação de capital no Brasil. Temos que mostrar que o Brasil não tem um nível de risco maior que o shale nor- te-americano e outras regiões que ofertam áreas para essas empresas que competem globalmente. De que forma você vê o futuro da indústria, lá em 2040/2050? Vejo espaço para todas as fontes, diversidade de players e de tecnologia. A tecnologia vai ter papel funda- mental na gestão eficiente da demanda, na oferta de di- ferentes modais e um papel relevante para todas as fon- tes energéticas. A indústria terá um olhar cada vez mais responsável com relação ao gerenciamento das emissões de gases de efeito estufa e estará muito conectada com o consumidor final. Esses mundos entre oferta e a de- manda vão se aproximar na direção de maior eficiência e prestação de contas no sentido de ter a rastreabilidade da cadeia disponível nos nossos iPhones, de modo que cada um de nós poderá fazer suas escolhas de consumo de maneira absolutamente informada. Quais são os riscos da indústria nos próximos anos? O maior deles é deixar de ser atraente. Falo atraente para talentos, capital, tecnologia e sociedade. Essa in- dústria precisa reafirmar a sua relevância, que é muito grande, sobretudo no estágio de desenvolvimento em que se encontra a sociedade brasileira. O maior risco é a gente importar uma rejeição para essa indústria an- tes do tempo. n
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