Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020

22 Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 DISTRIBUIÇÃO acionada para compensar a inter- mitência das fontes renováveis, que não param de crescer - as fontes so- lar e eólica. E que quem arca com os des- contos em tarifas de uso das re- des de transmissão e distribuição (TUST e TUSD) aos quais as usinas renováveis têm direito, são também os clientes cativos, lembra o presi- dente da Abradee. “Nos últimos cinco anos esse benefício cresceu 98%”, diz Ma- dureira. “É preciso tratar isso de uma forma isonômica, para de- pois haver a abertura mais ampla do mercado”. Já do ponto de vista da Abrace- el, a liberação geral poderia até ser deflagrada antes. O presidente da associação, Reginaldo Medeiros, ci- ta a Consulta Pública 33, aberta em 2017, que cobre os principais temas da modernização do marco comer- cial, como a separação entre lastro e energia, preço horário, despacho das usinas por oferta de preço, en- tre outros itens. Medeiros não tem dúvida de que as comercializadoras são capa- zes de modular com mais precisão que as distribuidoras as compras de energia para suprir seus clien- tes, equacionando fontes, volumes e prazo. DOS MILHARES AOS MILHÕES A possibilidade de passar a atu- ar no “varejão” do mercado livre, aliás, é um futuro considerado pro- missor pelas grandes comercializa- doras, a exemplo da Comerc. Tanto é que, segundo o seu vice-presiden- te, Marcelo Ávila, a empresa desen- volve um trabalho intenso procu- rando desenhar formas de atuação num mercado de clientes que pas- sará a ser contado não mais aos mi- lhares, mas aos milhões. Ele explica que a estratégia é si- gilosa, mas que, no contexto geral, os negócios e contratos poderão ser feitos por meio de aplicativos pa- ra celular. A chave para aproveitar oportunidades, diz, é melhoria de processo, digitalização maciça, de- senvolvimento de sistema e treina- mento de pessoas. “Se todo mundo migrar, vai ser uma grande tsunami. Por isso in- vestimos muito. Vou querer ven- der de tudo [incluindo geração distribuída, eficiência energética etc]”, vislumbra Ávila, lembrando que a empresa hoje já conta com uma plataforma que cruza dados de clientes para detectar poten- ciais negócios. NOVAS RECEITAS PARA DISTRIBUIDORAS Para Tiago Barros, da RegE Consultoria, tanto o PLS 232 como ações em elaboração no governo e na Aneel devem garantir uma tran- sição mais suave do que se imagina dentro do prazo imaginado. O ex- -diretor da Aneel defende uma re- gulação mais leve. Segundo ele, só o fato das distribuidoras ficarem li- vres da contratação de energia será um fator que se refletirá, de pron- to, numa queda sensível nos preços. “Vai acabar a sobrecontratação e isso, por si só, já reduz os riscos. Primeiro haverá a liberação dos consumidores atendidos em alta tensão, mas poderia fazer tudo jun- to. Não existe dificuldade do pon- to de vista técnico porque isso já foi feito em outros países, já tem solu- ção!”, diz. Ele admite, no entanto, que é necessário ajustar os atuais con- tratos de concessão das distribui- doras e, claro, dar uma solução aos contratos de compra e venda de energia que, como atos jurídi- cos perfeitos não podem ser sim- plesmente quebrados, a não ser consensualmente. Barros também remete à CP 33 e reconhece que houve muita evo- lução nas discussões em relação ao texto atual do PLS 232. Na base de tudo, separar as atividades po- de agregar valor a outros negócios. Hoje as distribuidoras não têm qualquer estímulo para desenvol- ver novas fontes de receita, porque a regulação determina que a maior parte do resultado financeiro de qualquer atividade extra seja repas- sada à modicidade tarifária.

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