Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020

Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 23 A questão do compartilhamen- to de postes é um exemplo emble- mático, diz Barros. As distribuido- ras não ganham o suficiente para gerir adequadamente esses ativos. Recebem pouco e o que acontece é que a rede elétrica acaba se tornan- do “almoxarifado” das empresas de telecomunicação, causando polui- ção visual e trazendo riscos à popu- lação. Seria preciso valorar adequa- damente o aluguel de postes. “Não tem dono porque não tem valor. Se não tem valor, ninguém ganha com isso”, resume. Outra fonte de receita que o segmento tende a capturar em fu- turo próximo é a de serviços de medição, em geral, que poderão ser cobrados, por exemplo, no caso da geração distribuída. Seria justo que quem vendeu e quem comprou pa- gue um valor por isso. Esse tipo de intermediação não é permitido pe- la Aneel hoje, explica o ex-diretor da Aneel. Em relação aos consumidores que, num cenário de abertura ge- ral, podem se tornar remanescentes quase que permanentemente, seja porque não têm consumo suficien- temente atrativo para serem procu- rados pelas comercializadoras va- rejistas ou então porque não conse- guem pagar suas contas, a solução está desenhada. Eles passarão à res- ponsabilidade do supridor de últi- ma instância que também começa a ser conhecido como “comercia- lizador regulado”, papel que, ca- so exista interesse, as próprias dis- tribuidoras poderão desempenhar, desde que contem com um valor adicional na receita. As oportunidades incluirão ser- viços de monitoramento de consu- mo que indicarão ao clientes co- mo fazer a gestão do uso correto da energia, via medidores inteligentes com múltiplas funcionalidades que permitirão, inclusive, a oferta de automação domiciliar e vigilância eletrônica. Afinal, ninguém conhe- ce melhor o perfil do clientes que atende, do que as próprias empre- sas de distribuição. Será possível, aponta Cyro Boc- cuzzi, especialista em smart grid e sócio da ECOee Energia Eficiente, até mesmo propor aos usuários de um determinado bairro a instala- ção de microgrids, com incorpora- ção de sistemas de armazenamen- to e centrais de geração de energia solar fotovoltaica - outra atividade ainda vedada, o que obriga os gru- pos a criarem subsidiárias para ex- plorarem projetos mais ousados. “Após R$ 250 bilhões gastos ao longo de décadas – desde o RE-SEB -, sempre tentando reparar equívo- cos de planejamento e gestão, che- gou o momento do setor elétrico se sustentar de uma forma saudável”, diz Boccuzzi, se referindo aos di- versos planos de recuperação eco- nômica pagos pe- los consumido- res. O RE-SB, por exemplo, Projeto de Reestruturação do Setor Elétrico Brasileiro, no final da década de 1990 - foi uma primeira Remuneração pelo uso DA REDE É UM DOS SERVIÇOS QUE AS DISTRIBUIDORAS

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