Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020

34 Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 GÁS em área urbana, com facilidade de conexão à rede das distribuidoras”. Já a Comerc espera replicar no mercado de gás a trajetória que teve como uma das pioneiras na comer- cialização de energia, em 2001. Pa- ra o diretor Pedro Franklin, o mer- cado vai deslanchar quando houver maior oferta, a preços competitivos. Especialmente quando a produção do pré-sal começar a deslanchar, en- tre 2024 e 2025. Até lá, acredita, o mercado precisa resolver seus gar- galos operacionais e regulatórios, como o acesso a UPGNs, definição de código de rede entre as transpor- tadoras e estocagem, além da altera- ção das regulações estaduais. DISTRIBUIDORAS Enquanto isso não acontece, além das empresas independentes, as distribuidoras de gás canaliza- do também se movimentam. Vá- rias concessionárias estudam abrir subsidiárias de comercialização pa- ra disputar a preferência dos futu- ros consumidores livres. O primei- ro grande movimento nesse senti- do foi a criação da Compass Gás e Energia, pela Cosan, emmarço des- te ano, para responder por todas as operações de gás natural e energia elétrica do grupo. Entre outros ati- vos, a Compass Gás e Energia de- tém a participação da Cosan na Comgás e o controle da Compass Comercializadora, que passará a operar também com a comerciali- zação de gás. Simultaneamente, outras distri- buidoras avaliam operar na comer- cialização por meio de subsidiárias. É o caso da ES Gás, no Espírito San- to, cujo presidente, Héber Resende, admite ser natural o interesse das empresas de distribuição no novo segmento, “sem que as duas ativi- dades se misturem”. A Compagás, do Paraná, é ou- tra distribuidora que já demonstra interesse na nova/velha atividade. Pelo menos, em tese. “Montar uma subsidiária de comercialização po- de ser um bom negócio desde que realmente haja diversificação da oferta. Com apenas um ofertante significativo, como acontece hoje, com a Petrobras, não faz diferen- ça nenhuma”, avalia o presidente da empresa, Rafael Lamastra. No novo mercado que se dese- nha, as distribuidoras têm a van- tagem de conhecer mais de perto o comportamento dos clientes e as flutuações da demanda. “Por ou- tro lado, as comercializadoras in- dependentes podem ter a vanta- gem de conhecer melhor as opções de oferta de gás, e usar isso para negociar melhores condições na compra”, diz Edmar Almeida, do Instituto de Energia da PUC-Rio. A disputa promete ser acirrada. Edmar, no entanto, faz um alerta: “A participação das distribuidoras e suas subsidiárias na comerciali- zação é bem-vinda, mas deve ser acompanhada de perto pela ANP e pelo Cade, para evitar que ela crie uma assimetria no mercado.” n A proximidade da oferta com os centros de consumo pode favorecer o biogás no atendimento ao mercado livre Controladora da Comgás, Compass Gás e Energia se prepara para comercialização

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