Brasil Energia | Ed. 464 - Agosto, 2020

ENTREVISTA Eduardo Gerk 66 Brasil Energia , nº 464, 31 de agosto de 2020 Há formas diferentes de privatizar, como a privatiza- ção da empresa em si ou a securitização dos contratos de comercialização do óleo da União, mantendo a empre- sa. Mas, enfim, a proposta veio do governo, não foi criada pela imprensa. Não sei, Cláudia, sinceramente, não vi essa declara- ção do ministro [Paulo Guedes], mas não cabe a mim comentar, vamos assim dizer. O que eu posso fazer é cumprir meu papel e gerir a PPSA, administrar meus contratos. Política pública se faz pelos governantes, pe- lo Congresso Nacional, e nós acatamos, mas acho que não cabe a mim comentar. A produção de partilha está em 42 mil barris/dia, segun- do últimos dados coletados. Quis as projeções de cresci- mento? As últimas projeções de produção que temos es- tão no estudo do fórum que apresentamos em no- vembro do ano passado. Ainda não atualizamos porque não temos dados novos para fazer isso. Va- mos ver se, até novembro, fazemos isso para o fó- rum que planejamos realizar no final do ano. Mas, até o momento, as nossas projeções de produção futuras são exatamente aquelas que estão no estu- do, tanto da produção global dos contratos de par- tilha quanto do share da União. A pandemia deve impactar os indicadores do estudo? Ainda vamos rodar um estudo novo para novem- bro. Se houver sinalização de algum atraso até lá ou confirmação de atraso com a entrada em produção de um novo módulo, isso vai estar contemplado no novo estudo. No momento, não tenho esse dado, não fecha- mos uma nova simulação. A produção de partilha teve uma queda de cerca de 14 mil barris/dia de abril para maio, em função da troca da li- nha do TLD de Mero. Existe previsão de quando a produção do ativo retomará ao patamar normal? Basicamente, o que regula nossa produção é a participação no campo de Mero. O que houve, nesse período, foram, primeiro, condições mete- orológicas de ondas de 4 m, que fizeram com que, nessa situação, a produção da plataforma preci- sasse ser parada e a troca da linha, de 8” para de 6”. Com uma linha de 6”, não se consegue produ- zir o mesmo volume que se produz com 8”. Es- se foi o principal fator. A questão da linha vai permanecer em Mero, sendo que o operador tem plano de, em setembro ou outubro, voltar a ins- talar uma outra linha de 6”. Ficando com duas de 6”, a produção de Mero deve voltar ao seu pa- tamar normal. Portanto, devemos experimentar algum tempo ainda com a produção reduzida de Mero em função disso. Há uma expectativa de crescimento da arrecadação de tributos com os novos contratos, considerando-se, princi- palmente, o campo de Búzios? Um fato relevante este ano será o ingresso de Búzios como contrato de partilha. Assim que sair o acordo de coparticipação, a União já fará jus a seu óleo lucro, que será comercializado pela Petrobras. Isso é um fator que deve, em pouco tempo, trazer resultados para a União, à medida que se formar uma carga. No mais, para este ano, não temos mais uma EGV [Equalização de Gas- tos e Volumes] assim de ponta, como aconteceu, há pouco tempo, a de Tartaruga Verde Sudoeste. Em 2020, vamos ficar limitados ao que já estava planejado com a comercialização que já está ba- sicamente prevista para este ano, da mesma or- dem do ano passado. O incremento de 2021 virá de Búzios. O que ainda falta ser fechado efetivamente no acordo de coparticipação de Búzios? Há expectativa de fechamento de outro acordo ainda em 2020? As discussões estão em andamento, e o que pos- so adiantar é que a Petrobras vem tendo uma pos- tura muito cooperativa, muito cordial, e temos con- vergido nos modelos, tanto de fluxo como geológico. Acreditamos fortemente que, ainda este ano, conse- guiremos fechar os acordos de coparticipação de Bú- zios e também de Itapu. Esse é o plano que está em linha com o desejo do operador Petrobras e os chi- neses. Apesar dos 18 meses de prazo para fechar esses acordos, é desejo de todos, inclusive da PPSA, de que isso seja fechado o mais breve possível. A PPSA interrompeu a negociação de Sépia e Atapu no início da pandemia em função de dificuldades de acesso re-

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