Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020
Novos projetos offshore aumentarão procura por Operações de alta complexi- dade, equipamentos de grande porte e milhares de profissionais nos diferentes elos da cadeia fa- zem do setor de óleo e gás uma atividade em que riscos de diver- sos tipos são inerentes. Uma das formas de proteção adotada pelas empresas é a contratação de se- guros, que têm potencial de cres- cimento nas próximas décadas, segundo agentes do mercado. Mesmo com todos os recur- sos empenhados no setor, inci- dentes ocorrem afetando o cro- nograma de projetos e gerando prejuízos para petroleiras e pres- tadores de serviço. Um exem- plo recente na indústria de óleo e gás brasileira foi o naufrágio de dois módulos de geração de energia da plataforma P-71, em maio de 2019. Avaliados em US$ 150 mi- lhões os equipamentos estavam a caminho de um estaleiro no Es- pírito Santo, onde seriam inte- grados ao casco da plataforma, quando a balsa de transporte naufragou na costa do estado de Santa Catarina. “Acidentes como o da BP em Macondo mostram como as con- sequências danosas podem se alongar de forma dramática e as- sustadora. A explosão da P-36, em 2001, mostra como danos lo- calizados podem levar à perda do conjunto todo pelas dificulda- des impostas pelo meio altamen- te hostil”, relembra Luis Sou- za, sócio-fundador do escritório Souza, Mello e Torres, especialis- ta no setor de energia. Para Souza, a contratação do se- guro é uma necessidade para dar garantias financeiras e jurídicas às companhias e aos acionistas. “Não ter seguro pode implicar responsa- bilidade pessoal dos acionistas e a presunção de culpa, talvez até com argumentos para caracterização de dolo”. Souza ressalta que dificil- mente grandes projetos são apro- vados sem cobertura, “pois os fi- nanciadores não têm permissão de desembolsar sem um sólido paco- te de seguros”. A Petrobras, por exemplo, ado- ta o seguro como forma de evitar uma saída de caixa inesperada, em decorrência de um eventual sinistro. A estatal faz uma análi- se de risco, que leva em conta a “perda” máxima de caixa aceitá- vel em relação às suas operações. “Os seguros considerados mais críticos são os relacionados a da- nos à propriedade, à construção de unidades de produção e insta- lações submarinas e danos a ter- ceiros, que incluem cobertura pa- ra poluição e remoção de destro- ços”, informou a companhia via assessoria de imprensa. A norueguesa Equinor pos- sui seguro com coberturas pa- ra danos físicos, responsabilida- de civil, indenização trabalhista e responsabilidade patronal, res- ponsabilidade geral, poluição re- pentina. “Temos no país ativos em diferentes fases de desenvol- vimento, desde a exploração, de- senvolvimento do projeto e pro- dução. Tudo isso exige um certo nível de seguro e gerenciamento de risco”, informou a petroleira. Há onze anos atendendo a in- dústria do petróleo no Brasil, a seguradora Tokio Marine oferece produtos que cobrem todos os elos da cadeia, principalmente operações offshore, e aposta em uma maior demanda após o rea- quecimento do setor. “O forte do nosso mercado no Brasil é a operação offshore. Com os novos leilões, os ativos do pré- -sal demandarão novas empresas Leilões nos últimos anos gerarão mais campanhas e operações, que exigem cobertura dos investidores seguros de petróleo
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