Brasil Energia | Ed. 467 - Fevereiro, 2021

104 Brasil Energia , nº 467, 1 de fevereiro de 2021 EÓLICA A desconfiança dos fornecedores, po- rém, é a de que esses investimentos po- dem ter data para acabar. Depois de pas- sado o boom de obras para projetos do ACL, o temor de muitas empresas da área é a carteira de pedidos voltar a se estagnar, retornando à carga do perío- do de 2016-2017, com o agravante de no futuro as fábricas estarem com capa- cidade instalada maior, o que tornaria a ociosidade e o prejuízo também maiores. A visão pessimista se funda princi- palmente na baixa expectativa de que a economia nacional volte a crescer em níveis que provoquem a expansão da oferta de geração de energia. Sem au- mento do PIB, que a cada percentual de crescimento – por convenção dos ana- listas – acrescenta 1,5% de aumento no consumo de energia, torna-se um risco investir muito na capacidade e moderni- zação das fábricas. Esse cenário, na opinião de represen- tantes do topo da cadeia de fornecedo- res, os fabricantes de turbinas, tem tor- nado difícil a tarefa de convencer de- mais elos de suprimento a investirem para atender aos projetos programados até 2024 e, principalmente, mirando o horizonte de longo prazo. Alta competição De forma geral, nos pedidos atuais para o curto prazo, para entrega até 2022, os fabricantes já encontram difi- culdades para nacionalizar as novas tur- binas com potências superiores a 4 MW, por conta da alta demanda por desen- volvimento de novos componentes, a oferta limitada de fornecedores e a con- sequente competição acirrada pelo lado da demanda. Tem essa análise João Paulo Silva, o diretor superintendente da Weg Ener- gia, a única fabricante nacional de ae- rogeradores. Em apresentação duran- te o evento Brazil WindPower no fim do ano passado, Silva ressaltou que a falta de previsibilidade inibe os inves- timentos dos fornecedores, o que faz muitos deles não estarem preparados para o pico de demanda dos projetos em andamento e muito menos para além desse período, dada a descon- fiança com a economia. Para Silva, o cenário pode provocar nos próximos anos investimentos de úl- tima hora, sem planejamento, e dificulta atualmente a preparação para a monta- gem dos novos aerogeradores, que no A despeito das incertezas com o médio e longo prazo, as empresas no momento correm para atender vários pedidos já assinados

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