Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021

30 Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 RENOVÁVEIS Potencial nacional A Abren fez um estudo para levan- tar o potencial brasileiro na recupera- ção energética de resíduos sólidos ur- banos, baseado nos volumes tratados e na geração de energia dos vários países que já contam há muitos anos com usinas de WTE – a estimativa é a de que existam em operação no mun- do cerca de 2.430 usinas de recupera- ção energética de resíduos, nenhuma delas por aqui. O potencial é muito grande, como não poderia deixar de ser, já que o pa- ís gera quase 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, segundo dados da Abrelpe. Para o es- tudo da Abren, apenas nas 28 regiões metropolitanas do Brasil com mais de 1 milhão de habitantes, onde vivem 100 milhões de habitantes e onde há a maior viabilidade para usinas de grande porte, com potência acima de 20 MW, seria possível implantar 137 UREs no país. Somente na região me- tropolitana de São Paulo, há potencial para erguer 24 usinas e na do Rio de Janeiro, mais 18. Em todo o país, as 137 usinas pode- riam agregar uma potência instalada de 2,4 GW e gerar 19,3 TWh por ano. Pa- ra erguer todo esse novo parque de ge- ração, seriam demandados investimen- tos totais de R$ 77,5 bilhões, gerando 27.400 empregos na construção e mais 6.850 durante a operação. Na região metropolitana de São Paulo, as usinas projetadas demandariam desse total R$ 15 bilhões em investimentos, atrairiam 4.800 empregos na fase de construção e 1.200 na operação. No Rio, seriam mais R$ 11,4 bilhões, 3.600 empregos na construção e mais 900 na operação. Agregado a esse potencial, outra es- timativa da Abren chama a atenção pa- ra as externalidades da “nova” fonte, o que a tornaria mais atraente em com- paração com as demais opções. Apesar de o seu custo efetivo ser alto, na casa dos R$ 600/MWh, os custos evitados e as externalidades tornam o empreendi- mento bastante viável no longo prazo. Na estimativa elaborada pela associa- ção, a atividade evitaria custos de trans- missão, por ser gerada próxima dos pon- tos de carga (R$ 37/MWh), de transpor- te do lixo (R$ 300/MWh) e de saúde pú- blica (R$ 150/MWh). Com esses “des- contos”, o custo real da recuperação energética de resíduos, por meio de so- luções térmicas, seria de R$ 113/MWh, extremamente competitivo em compa- ração a outras fontes. Fica aí a dica para os gestores públicos. n Para o presidente da Abren, Yuri Schmitke, com um contrato perene e de longo prazo torna-se possível implementar usinas de recuperação energética de resíduos

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