Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021

36 Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 NEGÓCIOS Unipar, Sergio Santos, a primeira moti- vação da empresa para a sociedade no parque eólico foi ter garantia de forne- cimento de longo prazo de energia lim- pa a um preço competitivo. Isso porque, além de a eletricidade corresponder a 45% do custo opera- cional da produção de cloro-soda, a empresa projeta explosão da deman- da de seus produtos por conta dos novos investimentos em saneamento previstos depois da promulgação do novo marco regulatório, em 2020, e que visa a universalização dos servi- ços d água e esgoto até 2033. Além de fornecer o cloro para desinfecção da água de abastecimento, a planta de Santo André produz PVC – a partir do dicloroetano (cloro + eteno) pro- duzido verticalmente na planta. O PVC é resina empregada para tubula- ções e adutoras de saneamento, por- tanto também com forte perspectiva de crescimento de demanda. Já a segunda motivação para a so- ciedade, ressalta Santos, foi realmen- te, com o controle do capital ordiná- rio, a empresa se tornar autoprodu- tora e ter a redução expressiva dos encargos. Por conta disso, de acordo com o gerente, o modelo de autopro- dução é imbatível em custos em com- paração com PPAs convencionais no ACL. E isso visto sob a ótica da longa experiência da empresa, já que a Uni- par foi a primeira a assinar um contra- to no mercado livre, com a Copel, em 1999, para sua unidade de Cubatão. Além do caso da Unipar, há tam- bém outras empresas querendo entrar na sociedade como autoprodutor lo- go na entrada do projeto, conta o di- retor de relacionamento com o cliente da AES Brasil, Rogério Jorge. Nesse ca- so, são empresas que estão querendo evitar riscos futuros de mudanças re- gulatórias. Segundo ele, há negocia- ções no momento para formar socie- dades com consumidores com partici- pações, por exemplo, de 90% com a AES e 10% para o cliente. Para ele, a iniciativa desses clien- tes de entrarem como autoproduto- res logo na entrada do projeto, na fase de construção e com a aquisi- ção de uma parcela maior das ações, representa até um risco menor em comparação com a modelagem que contempla a opção de compra ape- nas na fase de operação e com com- pra de poucas ações. Segundo Jorge, a AES nos próximos meses deve anunciar um acordo de au- toprodução em que o sócio terá partici- pação superior a 20%. Prova de que a tendência da autoprodução continuará a ser de crescimento. Aliás, segundo dados da CCEE, em março de 2021 há cadastrados 79 agentes geradores autoprodutores, contra 76 do mesmo mês de 2020. Em consumo, referente a fevereiro de 2021, quando os autoprodutores con- sumiram 2.294,873 MW médios, a va- riação positiva foi de 3,96% sobre fe- vereiro do ano passado. n

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