Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021
Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 83 trou nomercado deGNC (gás natural com- primido), cujo raio de distribuição é mais li- mitado do que o GNL, apenas de 200 km. Para Andrade, no longo prazo, depois da consolidação do mercado industrial e do consumo automotivo do combustível na forma gasosa, há a expectativa até de desenvolvimento do consumo direto de GNL por veículos pesados, nos moldes do que ocorre nos Estados Unidos, em vários países europeus e asiáticos, como na Chi- na, onde 400 mil caminhões e ônibus já são movidos a GNL. No lugar do óleo A possibilidade de levar o GNL para regi- ões do interior do país – assim como o bio- metano, caso do projeto de rede dedicada em Presidente Prudente (SP) da concessio- nária Gas Brasiliano e da Usina Cocal – per- mite que indústrias distantes de gasodutos façam um movimento de migração para um combustível mais limpo e barato e que já vem ocorrendo há mais de 20 anos entre indústrias nacionais com acesso à rede de concessionárias. Segundo Sérgio Araújo, presidente da Abicom, que representa os importa- dores de combustíveis, esse movimento de conversão para o gás natural foi tão significativo que fez ao longo do tempo o país se tornar superavitário em óleo combustível, que era no passado o mais utilizado em queima de caldeiras, for- nos e outros equipamentos industriais. Esse cenário se tornou até um proble- ma para as refinarias da Petrobras, expli- ca Araújo. Como o país também precisou muitas vezes aumentar a produção dos de- rivados em que o país tem necessidade de importação (diesel, gasolina e GLP), come- çou a sobrar nas refinarias óleo combustí- vel, que é a fração residual do refino. Isso gerou prejuízo, já que o preço de mercado do óleo combustível muitas vezes era infe- rior ao da matéria-prima. A situação só melhorou quando foi pu- blicada uma nova legislação internacional para combustíveis marítimos, a IMO 2020, que alterou a especificação do combustí- vel para navegação, com taxas reduzidas de teor de enxofre de 3,5% para 0,5% a partir de 1º de janeiro de 2020. Como o petróleo brasileiro, e consequentemente o óleo combustível, empregado também em navios, tem baixo teor do contaminan- te, o produto nacional passou a ser muito procurado mundialmente e valorizado. Se- gundo Araújo, com isso as refinarias brasi- leiras começaram a vender o óleo combus- tível com boa margem de lucro. Isso até outras opções mais ambientalmente cor- retas completarem a transição energética também nesse segmento. n Sérgio Araújo, presidente da Abicom: cenário de conversão para o gás natural se tornou um problema até para as refinarias da Petrobras Thiago Andrade, presidente da Petrobahia: transportar o GNL da New Fortress para uso em postos de combustíveis e por indústrias permite a interiorização do combustível
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=