Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021
60 Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 COMBUSTÍVEIS Em 2030, a Ferrogrão deverá trans- portar cerca de 2,5 milhões de m³ de combustíveis. O trecho de Sinop a Mi- ritituba tem potencial de movimentar mais de 300 mil m³ de etanol, a fim de atender à demanda de biocombustíveis da Região Norte. Além da rota ferroviária até Mirititu- ba, existe ainda um trecho hidroviário (cerca de 200 km) até Santarém (PA) e outras bases da região. Já na rota inversa aos granéis agrícolas e aos biocombustíveis (Miritituba/Sinop), a ferrovia possui potencial para transpor- tar aproximadamente 2 milhões de m³ de derivados (gasolina e principalmente die- sel), com o objetivo de atender de forma mais eficiente o norte do Mato Grosso. Para consultores em infraestrutu- ra logística, a modelagem do proje- to é promissora para líquidos, tan- to biocombustíveis quanto para de- rivados, pois cria um novo fluxo e permite maior flexibilidade levando produtos nos sentidos Norte e Sul. Além de melhorar a eficiência no escoamento, a Ferrogrão deve con- tribuir para a redução dos custos dos combustíveis. “Este será um novo corredor logístico com capacidade de transportar volumes significativos de combustíveis, ligando o Centro-Oeste à região Norte, através do Porto de Santarém. Hoje, parte desse trajeto é feito pela rodovia BR 163, um modal de baixa eficiência e poluente — inclusive, não era asfaltada até poucos anos atrás. Outra parte do trajeto é feita via hidrovia. O projeto da Ferrogrão subs- titui rotas rodoviárias e reduz a distân- cia para a movimentação de etanol, por exemplo, que hoje precisa ser transpor- tado por Porto Velho”, diz Marcus D´Elia. Já na avaliação da Leggio, a Ferrogrão é competitiva em relação à ferrovia Nor- te-Sul, por exemplo, que teve primeiro trecho inaugurado em março de 2021, e ligará Estrela D´Oeste (SP) a Porto Nacio- nal (TO), conectando um corredor logísti- co até os portos da região Norte. Paula Arantes, especialista em óleo e gás da consultoria Ilos, acredita que a Ferrogrão será uma alternativa interes- sante para internalização e escoamen- to de combustíveis, principalmente por- que, a partir de 2018, com mudanças na política de preço dos combustíveis e aumento na importação de derivados, houve pequena alteração nos volumes e fluxos de escoamento na região. “Com a nova política de preços e o aumento da importação, Rondônia e Mato Grosso começaram a ser atendi- dos via Amazonas, descendo por Miriti- tuba e também pela BR 163. Esse fluxo (Arco Norte/Mato Grosso) já acontece, mas não é muito regular. Depende de janelas de oportunidades”, diz Paula. A especialista estima que o custo do frete de combustíveis na Ferrogrão deve apresentar uma redução de até 30%, quando se compara o escoamen- to via BR 163. “E, do ponto de vista do custo do produto importado pelo Arco Norte, essa queda será de aproximada- mente 5%. Por mais que a BR 163 te-
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