Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021
72 Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 ENTREVISTA EBERALDO DE ALMEIDA NETO ponta, ou seja, que produzem esse óleo den- tro de uma eficiência energética muito grande, com emissões muito baixas e cada vez meno- res, com metas de redução bem desafiadoras. Temos que considerar o suprimento do Brasil não só para o país, mas para o mundo, pois parte do petróleo brasileiro é exportado e ele pode des- locar fontes poluentes em outros países. A China é uma grande importadora do Brasil e pode impor- tar mais óleo, por exemplo, para deslocar térmicas a carvão e emitir menos do que emite. É há esse inte- resse. Hoje se vê a própria China partindo para ex- ploração em águas profundas e ultraprofundas, in- vestindo em tecnologia dentro desse contexto, pa- ra deslocar fontes mais poluentes por outras menos poluentes. Então, acho que essa análise temque ser feita num contexto global, cotejando todas as tec- nologias e vendo o que é melhor de se fazer dentro dessa situação. Existe um trabalho grande a ser fei- to no Brasil paramonetizar essas reservas, para girar a economia brasileira e gerar investimento. Hoje, há ainda a capacidade de investimento e de gerar em- prego, que a gente precisa tanto. O sr. terá o desafio de comandar o IBP em meio à abertura dos mercados de gás e de do- wnstream, segmentos bem mais “tensos” que a área de E&P e que contemplam diversos agentes, com interesses muitas vezes bastan- tes divergentes. De que forma o IBP pretende atuar nisso, e que marca dará a essa questão? Trabalhei por dois anos e três meses na direto- ria da Petrobras e ali você tem que lidar com to- dos os temas. Teve até uma época que assumi a diretoria de downstream interinamente por dois a três meses. Obviamente que a gente tem um conhecimento não tão profundo quanto os pro- fissionais da área, mas é um setor extremamente interessante, vibrante e com a frequência de giro muito maior que a do E&P. No E&P, as coisas são grandes e de longo prazo, enquanto no downs- tream e midstream as coisas sãomais tensas, con- forme você colocou. Mas temos trabalhado com o setor e é um aprendizado muito interessante porque, de fato, são tempos distintos e devemos entender e trabalhar isso. E acredito que temos desenvolvido um bom tra- balho no IBP quanto à pauta do downstream. O Ins- tituto se envolve mais na pauta estruturante, que é fundamental, principalmente em um momento de abertura do refino no Brasil, que possibilita investi- mentos em infraestrutura. Dentro desse contexto é muito importante ter segurança jurídica que gere tranquilidade para se tomar o risco no investimento, seja na ampliação da capacidade de refino, seja na parte de distribuição, comdutos e portos. Temmui- to investimento para ser feito no Brasil. Quando se compara o Brasil a outros países domundo, em ter- mos de malha e de portos, há muito por fazer aqui. Qual a sua expectativa para o 17º leilão e para a 2ª rodada do excedente da partilha, de- pois dos resultados das rodadas de 2019 e ten- do em vista o atual cenário? Na sua avaliação, há espaço para dois leilões desse tipo, mesmo com algumas empresas sinalizando desinvesti- mentos em exploração? Essas questões têm sido colocadas pelas empre- sas e pelo IBP há muito tempo. A ANP tem traba- lhado nisso e alterado alguns pontos para conferir maior segurança aos investimentos. Isso é um tra- balho contínuo. Agora, prever como vai ser o lei- lão, prefiro não opinar porque parte do apetite de cada investidor. Aquestão que coloco é que as em- presas estão fazendo desinvestimentos, mas modi- ficações do tipo ‘agora mudou imposto, reforma
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