Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021

30 Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 PETRÓLEO ainda vão chegar ao Brasil. “Nós, que estamos entrando em campos madu- ros, procuramos trazer a maior quan- tidade de óleo que está lá embaixo”, afirmou Miguel. Não é à toa já que, se- gundo um estudo publicado pela ANP em 2018, se o fator de recuperação das bacias brasileiras aumentar em 1%, é possível gerar cerca de US$ 18 bilhões em novos investimentos e cerca de US$ 11 bilhões em royalties. E o dinheiro? Quando se fala de produtores onsho- re no Brasil, muitas vezes estamos fa- lando de empresas de pequeno e mé- dio porte, já que a Petrobras anunciou, em julho de 2020, que sairia dos campos terrestres completamente. Isso significa que a maioria dessas empresas não pos- sui um laboratório próprio, um Cenpes (sigla para Centro de Pesquisas e Desen- volvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello, de propriedade da estatal), por exemplo, para estudarem essas tecnolo- gias. Num primeiro momento, as empre- sas acabam recorrendo às startups quan- to à inovação, mas é preciso ficar de olho também nas universidades. “Os centros de pesquisa do Brasil es- tão nas universidades, e nós temos ex- celentes unidades no país para realizar essas pesquisas em todas as regiões, ca- da uma com as suas expertises. A uni- versidade tem um papel de dar suporte ao onshore. A gente talvez não deva se voltar completamente ao offshore, que é onde temos os projetos mais vultosos, patrocinados pelos grandes players”, analisa Marcos Allyson. Ele também acredita que a univer- sidade precisa estar mais próxima do mercado, visto que as empresas só vão investir se conseguirem enxergar algum tipo de retorno daquele capital investi- do. Para isso, Marcos defende duas pos- sibilidades: a prestação de serviços pelas universidades e a pesquisa aplicada. “A prestação de serviço é, por exemplo, alguma análise importante feita em labo- ratório, como uma petrofísica, uma com- patibilidade de perfuração com a cimenta- ção do poço, uma técnica de recuperação avançada ou um levantamento sísmico. Já a pesquisa aplicada é fazer com que o desafio da indústria seja o combustível da academia. E isso motiva o aluno, porque Alunos pesquisando no Laboratório de Engenharia de Reservatórios de Petróleo (Labres) da UFRN

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