Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021

12 Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 GÁS Mas para que tudo isso ocorra com fluidez, é preciso tornar as tarifas de interconexão de rede algo meramente simbólico para que o gás que transite em mais de uma área de transporte não se torne caro demais – o chamado pan- caking. Embora a ANP tenha determinado um desconto de 80% nas tarifas de in- terconexão entre NTS e TAG – a redu- ção da interconexão entre a TBG e da NTS ainda está em consulta pública -, o valor atual ainda se configura como um entrave à criação de um mercado mais aberto. Soma-se a isso o descasamento entre os produtos ofertados – contratos extraordinários na NTS e na TAG, e con- tratos firmes na TBG. Diante disso, a ANP precisa regula- mentar os procedimentos e diretrizes que vão nortear a troca de receitas en- tre as transportadoras. Mas isso só de- ve ocorrer no final de 2022, segundo o cronograma previsto na agenda regula- tória da autarquia. Para harmonizar a operação entre as transportadoras, a ATGás pretende en- tregar os primeiros códigos de rede e o plano coordenado de desenvolvimen- to do sistema em 2022. “Nós teremos uma minuta de código de rede a ofe- recer para o mercado, que será discuti- da com os carregadores e submetida à ANP. As transportadoras estão discutin- do isso há um ano”, disse Rogério Man- so, presidente-executivo da ATGás. A expectativa é que, no futuro, os có- digos de rede possam integrar os mer- cados, eliminando o acesso tarifário das interconexões. “O cliente não deve nos enxergar como três transportadoras, tem que nos enxergar como uma ma- lha única, interconectada”, avalia Wong Loon, CEO da NTS. Em meados de 2022, a NTS e a TBG pretendem lançar uma chamada públi- ca coordenada. Nela, as transportadoras devem buscar a eliminação da tarifa de interconexão. “Alguém poderá comprar uma tarifa de entrada na NTS e uma de saída na TBG. Ou comprar uma capaci- dade de entrada em Corumbá (MS), de um gás boliviano, e sair no Rio de Janei- ro”, explica Hijjar, da TBG. Por último, com vistas à integra- ção, as três transportadoras lança- ram, em agosto, um marketplace compartilhado no Portal de Oferta de Capacidade (POC). O que esperar? De acordo com as transportadoras, não será por falta de contratos de trans- porte, tarifas ou de espaço que os car- regadores deixarão de firmar contratos de molécula. Nas palavras de Rogério Manso, “é como na guerra: nenhum homem pode ser deixado para trás. On- de houver uma fonte de suprimento e um ponto de consumo, o transportador os ligará”. Mas, como na guerra, muitas bata- lhas travadas têm desfechos imprevisí- veis.Ainda existem complexos desafios logísticos, comerciais e regulatórios a serem superados. A ver. n

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=