Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021

Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 33 só não vejo nenhum impedimento para se ter es- se tipo de discussão. Depende da oportunidade. Especula-se que a Shell deva abrir uma carteira de desinvestimentos no Brasil em 2020 por conta de reorganizações de portfólio e tanto o sr. quanto o CEO da Karoon vieramdo grupo. É possível espe- rar um namoro natural entre os dois grupos? (Risos) AKaroon vê combons olhos, logicamen- te, uma parceria com a Shell. O que se tem ho- je é que a Shell ainda não anunciou, pelo menos formalmente, essa carteira de desinvestimento, e o que a Karoon vai fazer, como estamos fazendo com todos os ativos, é olhar. Vai ter que passar pri- meiro pelo screening estratégico, ver se faz senti- do ser considerado ou não para a partir daí entrar em negociação. Existe aquilo que a gente deseja e o que é realidade. A Shell é uma empresa pro- fissional e a Karoon é uma empresa profissional. É aquela coisa, independente do Antonio ter sido da Shell, do Julian [Julian Fowles, CEO da Karoon] ter sido da Shell, independente de eu gostar deles e eles de mim, quando sentar na mesa, somos todos profissionais. Se a gente evoluir para esse momen- to é porque, profissionalmente, do ponto de vista das empresas faz sentido a conversa. Como a Karoon enxerga e pretende inserir a questão da transição energética no seu portfó- lio, considerando que a formatação disso em relação às petroleiras de médio e pequeno por- tes ainda gera incertezas? A minha grata surpresa, quando cheguei na Ka- roon, é que o assunto estava ganhando o momen- to, não que estivesse definida, mas estava na pau- ta. Recentemente, estabelecemos a meta de neu- tralizar nossas emissões até 2022, atingindonet zero em 2035, e demos início a um processo para aqui- sição de crédito de carbono para compensação das nossas emissões no Brasil. Nossa intenção é comprar créditos de preservação de florestas, com alta quali- dade e benefício social, buscando dar preferência a projetos no Brasil e América Latina. Apesar de ser- mos uma operadora recente – vamos completar um ano de operação -, não é por isso que nós não esta- mos deixando de olhar e assumir um compromisso de olharmos as nossas emissões. Além do foco na redução das emissões, exis- te alguma possibilidade de a Karoon ampliar o enfoque para energia e investir em projetos de renováveis ou a estratégia é se manter, exclusi- vamente, como petroleira? Vamos trabalhar para reduzir e mitigar, mas somos uma empresa de petróleo. Pelo menos na estratégia atual, o que precisamos primei- ro fazer é consolidar esse negócio. Acabamos de começar a produzir. Não é o momento de perdemos o foco. Como empresa de petróleo, queremos consolidar nossa posição e crescer de maneira responsável. Já existe definição sobre o FPSO de Neon? Estamos com uma sonda contratada, que vai fazer Baúna e Patola, e estamos nesse momento fazendo estudos para diminuir a quantidade de in- certezas quanto à Neon. Elaboramos o programa de desenvolvimento de Neon há mais de um ano, mas a aquisição de Baúna trouxe um novo cenário para a Karoon que precisa ser melhor analisado. O que queremos fazer primeiro, sem o qual não dá para falar se precisaremos de fato de um FPSO em Neon, é decidir se perfuramos um poço de contro- le emNeon, que irá melhorar nosso entendimento do que é aquela descoberta. A partir desse enten- dimento e das informações que o poço pode tra-

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