Brasil Energia | Ed. 473 - Fevereiro, 2022
102 Brasil Energia , nº 473, 1 de fevereiro de 2022 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA a eletrificação numa velocidade equiva- lente a de outros países, que também enxergam vantagens no processo. A primeira seria uma chamada “des- comoditização” do minério de um metal, pois, no futuro, o minério limpo será pre- miado no mercado em comparação com o produto que não neutralizou sua pro- dução. A segunda vantagem seria a me- lhoria no desempenho e na redução sig- nificativa de custos, especialmente devido à eficiência energética, já que a eletrifica- ção abre portas para automação, ou se- ja, a chamada indústria 4.0, com controle remoto de processos e programação de paradas para manutenção preditiva, sem contar que motores elétricos têm uma manutenção menos custosa, simples- mente por terem menos partes móveis. A indústria mineira brasileira está inse- rida no contexto internacional tanto pe- lo produto que é exportado quanto pe- las empresas multinacionais que atuam no país, como a já citada Rio Tinto e BHP Billiton, entre outras, e acessa fontes in- ternacionais de financiamento, inclusive de órgãos multilaterais, para viabilizar a eletrificação de suas atividades. Até 2024, o setor deve investir US$38 bilhões, gran- de parte em novas formas de produção. A pressão para reduzir emissões vem tanto dos financiadores quanto dos se- tores consumidores que transformam o minério em produtos de metal. A Vale, por exemplo, além de investir pesada- mente em parques eólicos, substituindo investimentos que, no passado, seriam aplicados em hidrelétricas, está apos- tando em automação e baterias. No terceiro trimestre deste ano a empresa anunciou investimentos em um conjun- to de baterias no Terminal da Ilha Gua- íba, no Rio de Janeiro, com capacida- de para armazenar 10 MWh e evitar o uso de geradores a diesel para fornecer energia na esteira de alimentação dos navios, a qualquer horário. Enquanto isso, o seu mais novo pro- jeto de mineração em Carajás, o S11D, que terá capacidade de produzir 100 mi- lhões de toneladas de minério por ano, terá esteiras elétricas por dezenas de quilômetros substituindo as frotas de ca- minhões que serão controladas remo- tamente, um sistema que possibilita re- dução de 70% no consumo de diesel se comparado com o sistema convencional. O setor de metais no Brasil também passa por outro fator motivador: a ne- cessidade de modernizar o parque fa- bril. “Muitas destas usinas foram cons- truídas há mais de 40, 50 anos, e ago- ra passam por retrofit”, diz Rogério Ber- toldo, responsável pelo setor de metais e mineração da fornecedora de equipa- mentos ABB. Estas empresas estão substituindo motores a diesel e elétricos antigos por outros mais modernos, que hoje já são equipados com sensores, chips e dispo- sitivos Internet das Coisas (IoT), que per- mitem o monitoramento remoto. “Esta- mos entrando na era da manutenção preditiva,” avalia Bertoldo. A indústria 4.0, que deve sair ainda mais impulsionada pela introdução da
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