Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
62 Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 TRANSIÇÃO ENERGÉTICA A queda de custos é fundamental. Hoje, segundo estimativa da Thymos, o capex do CCUS é elevado e equiva- le a até 50% do valor do investimento de uma termoelétrica. Para uma usina a ciclo combinado de 500 MW, o investi- mento na captura e armazenamento se- ria de aproximadamente US$ 1,5 bilhão. Já o custo anual para remunerar o inves- timento seria de mais de US$ 279 milhões. Esses custos necessitariam que o carbono tivesse preço superior a US$ 275,75/t. Acrescente-se a isso tudo o fato de que o consumo de energia da usina pa- ra operar o CCUS aumentaria em 50%, o que no fim das contas disponibilizaria menos eletricidade para venda na rede. Para o Brasil O modelo do projeto-piloto para o Brasil, na visão do gerente da Thymos, poderia, por exemplo, ser realizado no âmbito do programa de P&D da Aneel, ou por meio de recursos de fundos inter- nacionais, em usina térmica ou indústria. Para ele, seria importante o projeto fi- car em algum local próximo de poço de petróleo ou de cluster industrial de con- sumidores de CO 2 , como cimenteiras, metalurgia ou ferro-ligas, ou mesmo de portos para permitir o escoamento do gás carbônico. “Seria interessante ter tubulação para distribuir o gás até para atrair outras indústrias para o consumo”. Aliás, a necessidade de o Brasil aderir a esse movimento pela captura de carbono – que faz parte de programas em vários outros países, como Reino Unido, Holan- da e Austrália – seguiria uma recomenda- ção da própria Agência Internacional de Energia (AIE), lembra Victor Ribeiro. Um estudo da agência aponta que até 2050 vai ser necessáriomanter em torno de 40% das atuais usinas térmicas em opera- ção, para garantir a expansão das renová- veis e cumprir as metas de descarbonização dos países sem afetar o suprimento. E a AIE qualifica a CCUS como a “úni- ca tecnologia disponível para descarboni- zar a geração de energia e os setores in- dustriais, como cimento, aço e produção de produtos químicos, com reduções de emissões verificáveis, e ao mesmo tempo, prover confiabilidade da rede elétrica”. Um exemplo claro dessa necessida- de ocorreu na Alemanha que, a partir de 2012, passou a reduzir a geração de usinas nucleares, substituindo-a por fontes reno- váveis intermitentes no norte do país. Com o tempo, isso congestionou as linhas de transmissão entre os subsistemas norte e sul que passaram a compensar a variabili- dade da geração das renováveis durante o período crítico, o inverno. Com a queda na confiabilidade do atendimento do pico da demanda, a Alemanha passou a conduzir sua transi- ção energética de forma mais equilibra- da e passou a contratar fontes despa- cháveis como energia de reserva. As tecnologias Embora existam várias pesquisas no mundo para criar novas formas de recu- peração de CO 2 , há três principais rotas empregadas. A primeira é em processo
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