Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 63 pós-combustão, que captura por meio da extração por solventes o gás carbô- nico depois da queima do combustível. Esse sistema, segundo Victor Ribeiro, tem a vantagem de poder ser adaptado a usinas já em operação. O segundo é na pré-combustão, que utiliza uma reação química em catalisa- dor para remover o gás antes da queima do combustível. Embora com custo in- ferior, esse sistema não pode ser adap- tado em usinas térmicas antigas. Já a terceira rota é a combustão oxi- -combustível, que usa oxigênio para queimar o combustível fóssil e para re- ter o vapor rico em CO 2 que sai do pro- cesso. Esse processo é mais caro, por- que utiliza o oxigênio. Para bebidas Sem a motivação ambiental, em plan- tas mais antigas, há casos de recuperação de CO 2 para comercialização do gás pa- ra uso principalmente na carbonatação de bebidas (refrigerantes, cervejas) e tam- bém para outras aplicações industriais. Isso ocorre mesmo no Brasil, onde produtores de gases industriais recupe- ram o CO 2 resultante de processos in- dustriais, como é o caso do originário da produção da amônia, intermediário de fertilizantes, e o comercializam de forma comprimida e liquefeita para ser transportado em carretas. Um caso diferente no Brasil aconte- ce em um grupo sucroalcooleiro, o JB, que fundou há 20 anos uma empresa, a Carbo Gás, para recuperar e comer- cializar o gás carbônico que existe nas emissões da fermentação do álcool de sua produção. Com tecnologia dinamarquesa manti- da sob segredo, a Carbo Gás recupera e comercializa 6 mil t/mês de CO₂ de duas fábricas do grupo, na Companhia Alcoo- química Nacional, de Vitória de Santo Antão (PE), e na Lasa, em Linhares (ES). O gás passa por purificação e liquefação para venda por carretas para principal- mente clientes na área de bebidas. Segundo o diretor da Carbo Gás, Fernando Mota, embora a empresa ho- je seja uma das líderes no fornecimen- to de CO 2 , que tem o diferencial de ser de origem verde, hoje o investimento na atividade não teria as mesmas facilida- des de vinte anos atrás, quando a em- presa foi criada. Além de ser um investimento de capi- tal intensivo, também a logística necessá- ria para a operação, com custo atual do diesel dos caminhões, alongaria o pay-ba- ck. “Não sei se hoje em dia seria um bom negócio para se investir”, diz. n Fernando Mota, da Carbo Gás: “Não sei se hoje em dia seria um bom negócio para se investir” Victor Ribeiro, da Thymos Energia: China e Estados unidos correndo na frente
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