Brasil Energia | Ed. 477 - Setembro, 2022

84 Brasil Energia , nº 477, 20 de setembro de 2022 BIOMASSA sou desde 1996, quando os primeiros fornos de cimento foram autorizados, 22,5 milhões de toneladas de resíduos. Desse total, 4 milhões de t se referem a pneus inservíveis, primeira demanda que foi atendida pela tecnologia e cujo passivo foi e está sendo resolvido por conta da solução. Ainda formam essa conta total da consultoria 6 milhões de t de resíduos industriais com poder calorífico, 8 mi- lhões de t de resíduos de biomassa e 4,5 milhões de t de resíduos de substituição de matérias-primas (que contenham calcário ou argila). Pelas contas do levantamento, to- do esse volume de 22,5 milhões de toneladas coprocessadas de resíduos substituíram, no período, 11 milhões de t de coque de petróleo (petcoque), combustível fóssil empregado nos for- nos pelas cimenteiras e que precisa ser importado. Em média, 1 tonelada de pneus picotados como chips de até 10 centímetros substitui 1 t de petco- que, e 1,7 tonelada de blends (mistu- ras) de resíduos industriais substitui 1 t do combustível fóssil. A contabilidade ambiental favorá- vel não para por aí. Com o aproveita- mento de resíduos de substituição de matérias-primas, houve uma econo- mia de mais de 5,5 milhões de t de re- cursos minerais. Em emissões, foi pos- sível evitar 20 milhões de tCO 2 eq no período, o mesmo que toda a emissão anual dos 6 milhões de carros da cida- de de São Paulo. Segundo acompanhamento anual do mercado de coprocessamento feito pe- la Associação Brasileira de Cimento Por- tland, a ABCP, em 2020, último cenário avaliado, os combustíveis alternativos de resíduos representam 15% do poder calorífico utilizado para a produção de clínquer e a biomassa mais 13%, tota- lizando 28% de substituição do petco- que, que ficou com os restantes 72%. No total, foram coprocessados pouco mais de 2 milhões de t de resíduos em 2020, sendo 1,8 milhão de t de com- bustíveis alternativos e biomassas e 154 mil t de matérias-primas alternativas. Do total dos combustíveis alternati- vos, os pneus representam 52,12%, os resíduos industriais classe 1 (perigosos) ficam com 39,58%, os combustíveis derivados de resíduos urbanos (CDRUs) com 2,75% e outros tipos com 5,55%. Dos combustíveis de biomassa, o carvão vegetal tem predomínio, com 76%, se- guido por cavaco de madeira (14%) e de fonte agrícola e orgânicos (6%). Blendagem Para poder entrar nos fornos, os re- síduos industriais são preparados em unidades de blendagem, com proces- sos mecânicos e biológicos. Esses siste- mas misturam e homogeneízam vários tipos de materiais contaminados com poder calorífico, ajustando a granulo- metria, a umidade e a energia necessá- rias para atender as necessidades dos fornos. Cada cimenteira tem um pa- drão para recebimento, o que obriga

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