Brasil Energia | Ed. 477 - Setembro, 2022

Brasil Energia , nº 477, 20 de setembro de 2022 85 as unidades especializadas a preparar os CDRs conforme as várias demandas técnicas das cimenteiras. Há aproximadamente 50 dessas cen- trais de preparação no país. A maior parte delas fica próxima de polos indus- triais, com vários geradores nas proxi- midades, para diminuir o custo logísti- co do transporte de resíduos. A partir daí, depois de homogeneizados e com densidade maior do poder calorífico, eles podem seguir para distâncias um pouco maiores até os fornos. Um exemplo de empresa que faz es- se tipo de serviço é a Renova, uma das líderes do mercado, com cinco unidades de blendagem de resíduos industriais espalhadas no país: em Arujá (SP), Ijaci (MG), Farroupilha (RS), Balsa Nova (PR) e Pojuca (BA). Segundo o diretor de operações da Renova, Christiano Baccin, a empresa detém hoje 30% do mercado de CDRs a partir de resíduos industriais perigo- sos, que segundo os dados da ABCP to- talizou 477 mil t/ano (2020). Mas essa participação, diz, terá aumento impor- tante neste ano, já que duas unidades, no Paraná e na Bahia, foram adquiridas apenas em 2021. A empresa tem foco no setor indus- trial, com mais de 3 mil clientes de varia- dos setores, como o químico, automo- bilístico, têxtil e calçados. Suas unidades ficam próximas de polos industriais. Is- so porque, segundo Baccin, o transpor- te de resíduos brutos, em quantidades menores, se torna muito caro, daí a ne- cessidade de trajetos mais curtos. “Ca- so contrário, a competição com os ater- ros fica desigual”, diz. Com contratos para destinar os CDRs para fornos de várias cimenteiras – en- tre elas a Votorantim Cimentos, Interce- ment, Itambé, Holcim e CSN Cimentos –, Baccin afirma que a distância maior per- corrida pela operação até o coprocessa- mento é de 400 km, o que já é conside- rado um limite indesejável. Nos estados de Minas Gerais e São Paulo, a empresa conta com logística própria, mas nos de- mais tem contratos com transportadoras especializadas em resíduos. As negociações com as cimenteiras variam muito e o mercado nacional de CDRs, ao contrário do que ocorre em países mais avançados na solução, ain- da não está “comoditizado”. Sua re- muneração vai depender da qualidade, do poder calorífico e da granulometria. Há cerca de 50 unidades de blendagem no país, recolhendo e preparando o combustível antes de entrar nos fornos

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