Brasil Energia | Ed. 477 - Setembro, 2022

86 Brasil Energia , nº 477, 20 de setembro de 2022 BIOMASSA Francisco Leme, conselheiro da Abren: parte do CDR que entra no forno do cimento gera calor ou vapor d´água Christiano Baccin, diretor de operações da Renova: unidades próximas de polos industriais Quando tem baixo poder calorífico o blend pode ter até sua queima cobrada e, a partir da sua variação de qualidade, terá maior ou menor remuneração. No caso do pneu, por exemplo, com alto poder calorífico, o valor pago pelas ci- menteiras é maior. Apesar disso, o momento é especial- mente favorável para os CDRs, segundo Christiano Baccin, por conta da alta nos combustíveis fósseis provocada pela crise global. Segundo ele, os preços se torna- ram positivos para o mercado por conta do cenário, mas tendem a se estabilizar. De forma geral, porém, a solução ganha competitividade com o concorrente dire- to, os aterros, por trazer alto benefício de médio e longo prazo para os gerado- res, que aproveitam o valor energético de seus resíduos e ainda se livram defini- tivamente de passivos ambientais. De resíduos urbanos Há vários motivos para se crer que o crescimento do setor de coprocessa- mento de resíduos deve se manter por muito tempo. Para começar, as condi- ções estruturais são favoráveis, desde que foi aprovado o marco regulatório do saneamento, que criou segurança jurídica e base regulamentar para muni- cípios e estados investirem em soluções de gestão de resíduos urbanos. Esse cenário está motivando proje- tos e investimentos tanto em cimentei- ras, para ampliar a capacidade de recebi- mento de resíduos nos fornos, como em unidades de blendagem especializadas em combustíveis derivados de resíduos urbanos, os CDRUs, que podem tanto ser empregados nos fornos de cimento como, em breve, em projetos de geração de energia elétrica e de geração de vapor (assim como os CDRs, de forma geral). Essa solução utiliza o mesmo con- ceito de homogeneização e mistura dos vários materiais, só que para ge- rar combustível a partir do lixo urbano in natura devidamente separado nos aterros (para retirar recicláveis e mate- riais inertes), com tratamento mecani- zado e biológico (secagem com ação das bactérias). Há algumas unidades de CDRUs já em operação no país, como uma pioneira, desde 2011, no aterro de Paulínia (SP), originalmente da Estre, mas que foi ad- quirida em abril deste ano pela Orizon. Mais recentemente também foi inaugu- rada a da Piracicaba Ambiental (PPP en- tre a empresa Enobs e a prefeitura), que abastece forno de cimento da Votoran- tim, em Salto de Pirapora (SP).

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