Brasil Energia | Ed. 479 - Fevereiro, 2023

24 Brasil Energia , nº 479, 10 de fevereiro de 2023 Marcus D’Elia é Sócio Diretor na Leggio Consultoria, responsável pelo segmento de Petróleo&Gás Escreve na Brasil Energia a cada duas edições. Marcus D’Elia do, foi calculado o potencial máximo para a geração de CBIOs dada a produção de etanol e biodiesel projetada pela Leggio Consultoria. No gráfico, é possível constatar que há uma lacuna entre oferta e demanda projetadas do ativo no mercado no longo prazo. Neste cenário de máximo de oferta potencial não há CBIOs suficiente para atender à meta após 2024, mesmo considerando evolu- ções nos parâmetros de eficiência das usinas produtoras. Revisões das metas Outro desafio são as frequentes alterações das metas de descarbonização do próximo decênio, que são revisadas no início de cada ano. Nos primeiros anos do programa, houve a necessidade de rever as metas por períodos mais curtos, a fim de adequar à perspectiva do consumo de combustíveis na pandemia em relação ao objetivo inicialmente definido. Contudo, nos últimos anos, o Brasil se deparou com um grande aumento de solicitações pelas distribuidoras para reduzir as metas impostas, além de pedidos de manutenção ou até aumento destas, por parte dos produtores. Como medida extrema, neste ano houve a prorrogação do prazo para cumprimento de metas anuais. Esse novo quadro gera dúvidas sobre a viabilidade concreta do programa e se há possibilidade de uma evolução consistente no futuro. Soluções propostas Visto que as metas de descarbonização no horizonte de curto e médio prazo não parecem corresponder à rea- lidade da geração nacional de CBIOs, é necessário repen- sar o programa. É importante que se busque alcançar a redução de emissões sem que nenhuma das partes en- volvidas ou a sociedade como um todo sejam oneradas no processo. Usando como referência programas de créditos de car- bono internacionais, seria possível o aumento do leque de fontes de oferta de crédito. Uma alternativa importante se- ria permitir a compra de créditos de carbono de projetos de recuperação de biomas, principalmente aqueles atingidos pela produção de cana, milho e soja, assim como pecuária. Outro ponto de melhoria seria a diversificação da matriz de combustíveis abrangida no programa, com a inclusão de novas fontes como diesel verde e BioQAv. Estas alterna- tivas demandam uma evolução no programa RenovaBio, na direção da melhor estruturação do mercado de créditos carbono no país, o que necessariamente passa por proje- tos de lei em andamento no Congresso Nacional. “Não há CBIOs suficiente para atender à meta após 2024, mesmo considerando evoluções nos parâmetros de eficiência das usinas produtoras”

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