Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023

Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 91 mazenamento de etanol bem estabele- cida, essa é uma saída real e viável. A obtenção do hidrogênio a partir do etanol pode ser realizada através de diversos processos, entre eles o de reforma-vapor, no qual o álcool reage com vapor de água mediante um ca- talizador, produzindo H 2 e, como sub- produto, CO 2 . Uma vez separado, o hidrogênio pode abastecer um veículo elétrico (VE). Embarcado, o H 2 é mistu- rado ao oxigênio capturado do ar, pa- ra formar de novo água, em uma re- ação exotérmica que gera energia em uma célula a combustível. É esta ener- gia que irá movimentar um VE. Há ain- da a alternativa de se utilizar reforma- dores embarcados ou do uso de sis- temas SOFC (células a combustível de óxido sólido), ou seja, gerar o hidrogê- nio verde on board. A diferença entre os dois modelos, além de uma célula a combustível especial, está na prati- cidade dos VE com SOFC se abastece- rem de etanol e não de H2. Isso porque, na prática, um carro a hidrogênio se comporta como um car- ro elétrico. Não emite gases poluentes, não faz barulho e é movido por um mo- tor elétrico. A diferença está em como esse motor é alimentado. No automó- vel elétrico tradicional, chamado pela indústria de BEV (battery electric vehicle ou veículo elétrico a bateria), a eletrici- dade fica estocada em um grande con- junto de baterias de lítio. No automóvel a hidrogênio, denominado FCEV (fuel cell electric vehicle ou veículo elétrico a célula de combustível), a energia é gera- da no próprio carro. A Nissan, que desenvolve um proje- to de P&D com essa tecnologia, com o apoio no Brasil do Instituto de Pesqui- sas Energéticas e Nucleares (IPEN), diz que pode ‘batizar’ o etanol com até 55% de água. Independente do sis- tema, além de baixa emissão, a única coisa que sai do escapamento é água ou vapor d’água. Também não é pre- ciso se preocupar com explosões, pois esses veículos são tão seguros quanto carros com tanque de gasolina e, se houver vazamento, o gás se dispersa na atmosfera. Vantagens frente ao carro elétrico: não precisa carregar o sobrepeso das baterias de lítio; o abastecimento de- mora o mesmo tempo que se leva para encher um tanque de combustível. Mui- to mais rápido que esperar horas por uma recarga de bateria. Outro benefício é a autonomia que, na média, varia de 500 a 600 km, distante dos 300 a 400 km das baterias. O recorde é do Mirai, sedã a hidro- gênio que a Toyota comercializa princi- palmente na Califórnia, EUA e Japão: 1.360 Km com apenas um tanque. Tam- bém não há necessidade de maneirar o pé para conseguir ir mais longe. Outra vantagem é que o H 2 V pode ser aplica- do em transporte de carga, segmento no qual, principalmente para médias e longas distâncias, os sistemas BEV tor- nam-se inadequados por conta do peso das baterias.

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