Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023
92 Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 HIDROGENIO Custos e regulação Mônica Saraiva Panik, mentora de H2 da SAE Brasil – entidade que con- grega profissionais com a missão de dis- seminar técnicas e conhecimentos sobre mobilidade – e diretora de Relações Ins- titucionais da Associação Brasileira de Hidrogênio (ABH2), lembra que as tec- nologias do hidrogênio já estão disponí- veis comercialmente. “O grande desafio é o aumento da escala de produção, reduzindo custos e ampliando o mercado, o que representa uma oportunidade para o Brasil. Outro desafio é implementar o ambiente regu- latório e a infraestrutura necessária para atender a demanda dos investimentos já anunciados”. A questão regulatória integra a pre- ocupação de vários especialistas e en- volvidos. Em 30 de março o Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Pau- lo – SEESP – em parceria com a Coope- ração Brasil-Alemanha para o Desenvol- vimento Sustentável, por meio do pro- jeto H2Brasil, implementado pela GIZ, promoveu o seminário “Hidrogênio ver- de como fonte energética ao transpor- te sustentável e solução à descarboni- zação da economia”. Em um dos pai- néis, Henry Joseph Jr., diretor técnico da Anfavea, defendeu que tenhamos regu- lamentações internas que digam clara- mente o que cada segmento da socie- dade precisa fazer para que o país possa atingir suas metas de descarbonização. “Não adianta a gente assumir com- promissos internacionais de carbono ze- ro em 2050 se não mostrar como esse caminho vai ser seguido por cada um dos segmentos da sociedade. Senão vai ficar todo mundo sentado esperando que o vizinho faça alguma coisa”. Também participando do evento, Francisco Christovam, presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) lembrou que a frota nacional de ônibus urba- nos é da ordem de 110 mil carros. Só a cidade de São Paulo tem 14 mil, há outros 6 mil no sistema intermunicipal. “Isso significa que qualquer mudança passa por um estudo do mercado, pela verificação para saber até onde a nossa indústria está preparada para enfrentar os desafios de um mercado segmen- tado como o de transporte público. Quais são as fontes de financiamento que temos para enfrentar uma mudan- ça de perfil de uma frota como essa? Qual o papel de cada um dos agentes da cadeia produtiva? Dos equipamen- tos? Dos combustíveis? O papel dos operadores? Do governo?”. Segundo ele, o impacto que se es- pera é a criação de uma nova indús- tria. “Mas temos que ter cuidado pa- ra ver se essa política vem de manei- ra provisória ou definitiva”. E acres- centa: “qualquer mudança, indepen- dente do combustível que adotar em substituição ao diesel traz aumento de custo operacional, mesmo porque não há condições de passar esse cus- to para a tarifa. De onde virão esses recursos?” pergunta.
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