Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023

Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 95 [que podem ser misturados com quero- sene de aviação]”. Segundo ele, o Brasil possui diversas legislações com foco em combustíveis renováveis, segurança, tecnologia e ino- vação como o Inovar Auto, o compro- misso com o Acordo de Paris, o Reno- vaBio, Rota 2030…, “mas nossa frota é extremamente antiga. Apenas 20% dos caminhões que circulam hoje têm me- nos de 6 anos de idade. Então precisa- mos pensar em como melhorar a des- carbonização nessa frota. Sem isso, ne- nhuma outra iniciativa vai contribuir”. Mesmo porque a convivência com uma frota a combustão aqui no Brasil ainda se dará por muito tempo. No pri- meiro trimestre de 2023, as vendas de veículos usados no país somaram 3,3 milhões de unidades, segundo dados da Fenauto, a Federação das Associa- ções dos Revendedores de Veículos. Isso equivale a sete vezes o volume de auto- móveis novos no mesmo período, que ficou em 471 mil, de acordo com o Re- navam, sistema que cobre o emplaca- mento em todo o Brasil. Outro dado: há um trabalho da An- favea feito em parceria com o Boston Consult Group que mostra que no ano de 2035, no Brasil, 32% dos veículos no- vos já serão comercializados com algum nível de eletrificação. E se houver políti- cas públicas de indução, ou seja, subsí- dio, existe a possibilidade de chegarmos até a 62% das vendas de veículos leves com algum nível de eletrificação. “Isso é um volume significativo, mas não vai resolver problema nenhum, por- que nós temos que pensar na frota co- mo um todo. E só quando a frota toda estiver adequada é que teremos resul- tados ambientais”, diz Henry. Segundo ele, uma forma de minimizar é o veícu- lo flex, pois 85% da frota já está rodan- do com essa tecnologia, mas ela preci- sa ser abastecida somente com etanol, cuja venda oscila entre 17% e 22% das vendas de combustível líquido. “É uma pena, pois se a situação fos- se outra, seríamos os campões na re- dução da emissão dos GEE no mundo. Nenhum país reúne essa condição de ter uma frota com esse potencial de re- dução de emissões”, completa. Monica Panik lembra que outra al- ternativa a ser explorada é a produ-

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