Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023

96 Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 HIDROGENIO ção de combustíveis sintéticos a base de H 2 V. “Eles representam um tesou- ro ainda não explorado no Brasil. Mui- tas montadoras de veículos no merca- do global estão buscando alternativas para substituir combustíveis fósseis em motores a combustão, com o objetivo de atingir suas metas intermediárias de descarbonização, até a produção em massa de veículos emissão zero, movi- dos a célula a combustível”. Ela conta que a Porsche, por exem- plo, irá importar metanol verde e gaso- lina verde produzida pelo projeto cha- mado Haru Oni em Magallanes, na Pa- tagônia chilena. “Uma fábrica de pro- dutos químicos irá capturar CO 2 da at- mosfera e combiná-lo com hidrogênio verde para produzir combustíveis sinté- ticos, que serão exportados para a Ale- manha e usados pela Porsche. O Brasil também possui todos os recursos e lo- calidades para sediar esse tipo de pro- jeto chamado ’Power to X’”. Vai demorar, mas dará tempo? Respondendo à pergunta do iní- cio, André Gasparotti, presidente da SAE Brasil, acredita que sim, temos to- das as condições de estabelecer as me- tas estabelecidas pelo Acordo de Paris. Ele lembra que o setor de transportes é apenas um dos setores contribuintes para o seu atingimento. “Nos trans- portes, a posição do Brasil é favorável. Nossa frota de veículos de passeio pos- sui cerca de 85% de carros Flex e, nos veículos comerciais, o uso do biodiesel é uma realidade. Os incentivos à pro- dução e ao uso de combustíveis sus- tentáveis, como etanol e biodiesel, se- rão determinantes para este primeiro passo no movimento de descarboniza- ção dos transportes no Brasil”. Gasparotti diz que o setor de trans- portes é um dos mais evoluídos do ponto de vista tecnológico, seja na in- dústria automobilística, seja pelo fato de ser um dos poucos países com uma indústria aeronáutica pujante e ino- vadora globalmente. “Outros setores, como o ferroviário e o aquaviário, são promissores no país, têm se fortaleci- do e tendem a contribuir cada vez mais para um aumento da eficiência energé- tica da mobilidade brasileira”. Ele lembra ainda que a solução para a redução dos GEE passa por uma combi- nação de tecnologias e soluções em ca- da um dos modais. “Várias rotas estão em estudo e o uso crescente do etanol e do biodiesel no transporte terrestre e do SAF (combustíveis sustentáveis de avia- ção) na aviação são soluções prioritárias no curto, médio e longo prazos. Com os motores à combustão chegando aos seus limites de eficiência, a eletrificação ganha papel relevante e deve ser de- senvolvida, principalmente para veícu- los urbanos, carros de passeio premium e aeronaves de pequeno e médio por- tes. Por fim, no longo prazo, o hidrogê- nio verde se mostra uma das fontes de energia mais promissoras para todos os modais”, diz.

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