Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023

Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 97 Esse longo prazo é, no entender do diretor da Anfavea, a realidade das montadoras. De acordo com sua ava- liação, a indústria automobilística está passando por uma mudança no mundo todo, há uma visão clara da necessidade de que transporte humano, o transpor- te de cargas e bens, têm que ser avalia- dos de um modo diferente de como foi feito até agora. “Há uma visão bastante clara de que o futuro da mobilidade urbana será com motorização elétrica, assim como não há dúvida de que no futuro o transpor- te será elétrico, pois esse sistema tem vantagens enormes, tanto do ponto de vista de potência, torque, dirigibilida- de, facilidade de fabricação, baixa ma- nutenção, baixo custo de produção, as- sim como a eliminação de uma série de componentes móveis que tem desgas- tes e que no motor elétrico não precisa. Enfim, o motor elétrico é, sem dúvida, um avanço muito grande em termos de power train”. Sua grande dificuldade, segundo Henry é a geração de energia. “E é em cima disso que se trabalha muito. Para transporte de carga em geral, a solução bateria não é a mais adequada. E a solu- ção hidrogênio aparece com muita na- turalidade nessas discussões. Inclusive a visão do uso de células combustíveis no uso de transportes de cargas em longas distâncias é algo que faz muito sentido. Gerar hidrogênio a bordo parece ser a melhor solução, porque você deixa de carregar o hidrogênio que ainda apre- senta condições complicadas de trans- porte, ou pela questão da pressão ou por conta da baixíssima temperatura”. Entretanto, Henry afirma que a ques- tão da preparação da indústria automo- bilística para essas tecnologias, princi- palmente a do hidrogênio, deve demo- rar. “Precisamos discutir ainda a forma da produção, a rota a ser adotada. Por tudo isso, essa não é uma questão que a indústria automobilística esteja traba- lhando como engenharia. Trabalhamos o assunto como uma questão de P&D, junto a universidades, institutos de pes- quisa. Até evoluirmos e chegarmos em uma linha de produção, num produto final, vai demandar algum tempo. Eu calculo um período entre 15 e 20 anos para termos uma realidade dessas no mercado brasileiro.” Em termos globais, Monica Panik acredita que o H 2 V se tornará com- petitivo mais cedo em países como a China, graças aos seus eletrolisado- res de baixo custo, Brasil e Índia por conta das energias renováveis baratas. Segundo a especialista, a fabricação de equipamentos para plantas de H 2 V “representa uma excelente oportuni- dade de mercado nos próximos anos e décadas porque a cadeia de valor do hidrogênio é extensa e as estimativas apontam para um potencial de merca- do de US$ 50 a 60 bilhões para eletro- lisadores e um mercado de US$ 21 a 25 bilhões para células a combustível em meados do século”.

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=