Brasil Energia | Ed. 481 - Junho, 2023

72 Brasil Energia, nº 481, 13 de junho de 2023 Continuação Wagner Victer que, particularmente, as considero bastante arrojadas para o país. Essas discussões de- vem ser aprofundadas no âmbito nacional, es- pecialmente na indústria e na própria estraté- gia nacional, que são: 1- Reduzir as emissões de CO 2 por carga transportada no transporte marítimo interna- cional em pelo menos 40% até 2030, em com- paração aos níveis estabelecidos de 2008; 2- Acelerar esforços para a redução em 70% da emissão de CO 2 até 2050, em com- paração com os níveis existentes em 2008; 3- Atingir o pico das emissões no transporte marítimo internacional em pelo menos 50% até 2050, em comparação com os níveis de 2008. Para atingir essas metas, são sugeridas uma série de medidas que serão colocadas em prática no curto, médio e em longo pra- zos. Essas medidas inevitavelmente terão im- pactos em técnicas de construção de navios e até de motores. A própria tecnologia embar- cada e um conjunto de novas medidas opera- cionais serão alteradas e isso, desde já e até antes das novas normas, deve ser considera- do, pois impacta tanto em tecnologia quanto em custo para as empresas que buscam em seus planos de negócio especificar e contra- tar novos navios. Em longo prazo deverão ser desenvolvidas soluções, e esse desafio também se coloca para o mercado nacional, especialmente para a questão dos navios, combustíveis, biocombus- tíveis de baixo e de zero carbono, com uma lo- gística adequada para eventual mistura diferen- ciada e abastecimento desses novos combus- tíveis. Isso trará certamente um grande desafio pelo tamanho da costa brasileira e rios nave- gáveis, na eventual adoção de postura similar para navegação interior, cabotagem e o apoio offshore para a indústria do petróleo. Da mesma forma, ainda não está clara- mente definido se o eventual atraso na apli- cação dessas normas e atingimento de me- tas poderão ser atenuados através de siste- mas de compensação de créditos de carbo- no, como, por exemplo, a adoção de replan- tio e de trocas de combustíveis em outras atividades econômicas. Outro aspecto se- rá quanto às sociedades certificadoras que possam atuar no Brasil, para que não fique- mos dependentes de certificadoras interna- cionais específicas ao tema em um possível regime burocrático e cartorial. Outra questão é até que ponto essas avaliações periódicas e certificações poderão ser transferidas para as sociedades classificadoras que já atuam no país, adotando uma governança que pos- sa ser aceita internacionalmente. Os debates que acontecerão no âmbi- to internacional, e que terão desdobramen- tos dentro do país, requerem a participação muito presente das empresas nacionais de navegação e daquelas que atuam também no setor de petróleo. Serão bastante exaus- tivos, especialmente no segundo semestre deste ano de 2023. Nesse cenário, a capa- cidade de articulação da Marinha do Brasil é muito positiva, por sua tradição de atuação no setor, por sua representatividade e res- peito que tem dentro da comunidade inter- nacional e nacional. Assim, o aprofundamento das medidas pa- ra verificação da intensidade da emissão de carbono e emissões absolutas do setor ma- rítimo dentro do nosso território e relações comerciais internacionais, e a quantificação com melhor precisão dos impactos, espe- cialmente na economicidade dessa mudan- ça normativa e na própria indústria, devem ser aprofundados. Os aspectos devem ser vistos como oportunidades voltadas à capa- cidade da produção de biocombustíveis es- pecíficos para esse segmento (Bio-Bunkers) e, principalmente, como se fará toda a sua logística de distribuição no país. O que não me parece, até o momento, desafios dimen- sionados com o aprofundamento adequa- do diante dos curtos prazos para atingir as metas já estabelecidas para 2030, que são muito desafiadoras.

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